Os velhinhos de ontem costumavam, sobretudo nos fins de tarde, abrir as janelas das casas e ficar ali, às vezes com os cotovelos apoiados em almofadas, esperando que algo acontecesse: a aproximação de um conhecido, uma correria de crianças, um cumprimento, uma conversa, o pôr do sol, a aparição da lua.
Eles se espantariam com as crianças e os jovens de hoje, fechados nos quartos, que ligam o computador, abrem as janelas da Internet e navegam por horas por um mundo de imagens, palavras e formas quase infinitas.
O homem continua sendo um bicho muito curioso. O mundo segue intrigando-o.
O que ninguém sabe é se o mundo está cada vez maior ou menor. O que eu imagino é que, de suas janelas, os velhinhos viam muito pouca coisa, mas pensavam muito sobre cada uma delas. Tinham tempo para recolher as informações mínimas da vida e matutar sobre elas. Já quem fica nas janelas da Internet vê coisas demais, e passa de uma para outra quase sem se inteirar plenamente do que está vendo. Mudou o tempo interior do homem, mudou seu jeito de olhar. Mudaram as janelas para o mundo – e nós seguimos olhando, olhando, olhando sem parar, sempre com aquela sensação de que somos parte desse espetáculo que não podemos parar de olhar, seja o cachorro de verdade que se coça na esquina da padaria, seja o passeio virtual por Marte, na tela colorida.
(Cristiano Calógeras)





